Dados revelados pelo Mapa da Violência, um estudo desenvolvido pelo Instituto Sagari com informações do Ministério da Justiça, mostram que a violência contra a juventude no Brasil é preocupante. No país, 32 jovens de até 19 anos são assassinados todos os dias.

Além disso, 75% dos jovens vítimas de mortes violentas são negros e do sexo masculino. Outra cruel realidade como o trabalho escravo atinge grande parte dos adolescentes e jovens. Já o suicídio afeta, principalmente, a juventude indígena.

Dados de 2011 apontam que a cada 10 jovens mortos, 7 são vítimas de homicídios, acidentes de trânsito ou suicídios. Só em 2010, mais de 45.850 jovens foram mortos por causas violentas.

Nesta perspectiva, a Cáritas Brasileira, por meio da Semana da Solidariedade deste ano, quer chamar a atenção da sociedade para estes dados alarmantes. Para Alessandra Miranda, assessora nacional do Programa Infância, Adolescência e Juventude (PIAJ) da Cáritas Brasileira, são muitas as formas de violência e é preciso aprofundar as causas estruturais e sociais nessa conjuntura.  “Por isso, faz-se necessário a denuncia, ou seja, dar visibilidade para os números de mortes que engrossam os mapas do retrato da violência no país, mas também é preciso, fazer uma análise que vá de encontro às questões políticas, sociais e econômicas em que estamos envolvidos”, destacou.

De acordo com Alessandra, esta análise é necessária para que a ação dos grupos e coletivos que estão na luta para a mudança desta realidade, possa ter ações cada vez mais qualificadas na incidência das políticas públicas. “É preciso que as vozes espalhadas pelo país que gritam contra a violência e pela cultura de paz sejam ouvidas, ou o objetivo comum que temos que é de mudar essa situação de violência, por meio da efetivação de direitos, não ocorrerá.”

Confira o resumo com os principais dados divulgados no Mapa da Violência. Para acessar o documento completo CLIQUE AQUI

  1. Crianças e Adolescentes no Mapa da Violência 2012

As causas externas (homicídios, acidentes de transito e suicídios) de mortalidade vêm crescendo de forma assustadora nas últimas décadas: se, em 1980, representavam 6,7% do total de óbitos nesta faixa etária (0 a19 anos), em2010, aparticipação elevou-se de forma preocupante: atingiu o patamar de 26,5%. Causas externas, em 2010, foram responsáveis por 53,2% das mortes de crianças e adolescentes, acima da metade do total de mortes na faixa de1 a19 anos de idade. Só para se ter idéia do significado: a segunda causa de mortes é individual: neoplasias e tumores que representam 7,8%; e a terceira, doenças do aparelho respiratório, 6,6%. Isoladamente, homicídios de crianças e adolescentes, que fazem parte das causas externas, foram responsáveis por 22,5% de total de óbitos nessa faixa.

  1. Jovens no Mapa da Violência 2011

Entre os/as jovens, as causas externas (homicídios, acidentes de trânsito e suicídios) são responsáveis por 73,6% das mortes. Se na população não jovem só 1,8% dos óbitos são causados por homicídios, entre os jovens, os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes. Em alguns estados, como Alagoas, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo e Distrito Federal, mais da metade das mortes de jovens foram provocados por homicídio. Estados que tiveram uma súbita e forte erupção de violência, mais que duplicando suas taxas no período, como Pará, Alagoas ou Goiás.

2.1  Criminalização da Juventude Negra

Efetivamente, de2002 a2008, para a população total, o número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.650, o que representa uma significativa diferença negativa, da ordem de 22,3%. Já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.915 para 32.349, o que equivale a um crescimento de 20,2%. Com isso, a brecha que já existia em 2002 cresceu mais ainda e de forma drástica. Em 2002, o índice nacional de vitimização negra foi de 45,6%. Isto é, naquele ano, no país, morreram proporcionalmente 45,6% mais negros do que brancos. Apenas três anos mais tarde, em 2005, esse índice pula para 80,7% (morrem proporcionalmente 80,7% mais negros que brancos). Em 2008, um novo patamar: morrem proporcionalmente 111,2% mais negros que brancos, isto é, acima do dobro! Estados como Paraíba ou Alagoas por cada jovem branco assassinado morrem proporcionalmente entre 11 e 12 jovens negros.

2.2  Questões de gênero

Ao longo dos diversos mapas que vêm sendo elaborados desde 1998, emerge uma constante: a elevada proporção de mortes masculinas nos diversos capítulos da violência letal do país, principalmente quando a causa são os homicídios. Nos últimos dados disponíveis, os de 2008, pertenciam ao sexo masculino: 92,0% das vítimas de homicídio; 81,6% das mortes por acidentes de transporte; 79,1% dos suicidas. Em 2008, continua praticamente inalterada a marca histórica de 92% de masculinidade nas vítimas de homicídio.

2.3  Suicídios de jovens

Destaca-se a região Nordeste de forma preocupante, cujos suicídios passaram de 1.049 para 2.199 – mais que duplicaram no período ao crescer 109%. Nessa região destacam-se três unidades. Paraíba, Piauí e Sergipe, mais que triplicam seus quantitativos. Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte mais que duplicam. Também nas regiões Norte e Centro-Oeste o aumento dos suicídios foi elevado. Na região Norte, o foco foram os estados do Amapá e Acre, onde os suicídios mais que duplicam. No Centro-Oeste o foco foi Goiás, cujos suicídios aumentam 88,6%. As regiões Sul e Sudeste tiveram crescimento abaixo da média nacional, sendo Minas Gerais o único estado dessas duas regiões a evidenciar crescimento relevante: 78%. A maior concentração de suicídios encontra-se na região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e na região Centro-Oeste, principalmente no estado de Mato Grosso do Sul. Entre os jovens, o suicídio de brancos cai levemente, -2,8%, enquanto entre negros o suicídio cresce 29,4%. Os dados arrolados permitem verificar que das três causas de mortalidade violenta trabalhadas no estudo, os suicídios são os que mais cresceram na década: 17% tanto para a população total quanto para a jovem. Mas para os jovens, três estados apresentam taxas que superam os 10 suicídios em 100 mil: Roraima, Mato Grosso do Sul e Amapá, tornando-os área de risco para sua juventude.

2.3.1        Suicídio de Jovens indígenas

Amambaí, no Mato Grosso do Sul, encabeça a lista de taxas na população total de suicídios. Dos 17 suicídios de jovens que aconteceram em 2008, 15 foram de jovens indígenas, o que significa 88,2% do total de suicídios do município. No ano de 2008, foram registrados exatamente 100 suicídios de jovens indígenas. Isso já daria uma taxa nacional de 20 suicídios a cada 100 mil índios, isto é, quatro vezes acima da média nacional.

por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira / Secretariado Nacional

No related posts.